É preciso aumentar o impacto das apresentações orais em conferências

Ano após ano, a cada conferência saio com a sensação de que as palestras são, na maior parte das vezes, um enorme desperdício de tempo e oportunidade. Lógico que existem palestras informativas e interessantes, mas infelizmente, na minha experiência, elas são a exceção.

Na maioria das vezes as palestras são de interesse muito específico e com muita informação concentrada em um tempo muito curto, isso quando não mal-preparadas. É impossível para alguém que não trabalha exatamente na mesma área entender o problema e as técnicas, além de digerir uma quantidade enorme de dados novos, tudo em 15-20 minutos, mesmo quando a apresentação está bem preparada.

O resultado é que depois de 5 minutos do início da palestra, poucos estão prestando atenção ou entendendo. Multiplique o tempo desperdiçado pelo número de pessoas distraídas na audiência e o resultado é deprimente.

Pior ainda. Assumindo que a conferência se reúne a cada 3 anos, uma apresentação que não é capaz de atingir uma parte substancial da audiência me parece uma oportunidade desperdiçada.

Não é preciso ser assim. Conferências são oportunidades únicas de trocar informações com centenas de pesquisadores, atrair o interesse de novos estudantes e estimular novas idéias.

Os palestrantes podem começar por reconhecer que, antes de tudo, são apenas 20 minutos (por exemplo)! Não é possível apresentar 60 slides, não é possível descrever em detalhes todos os resultados obtidos nos últimos três anos e não é possível ignorar o nível da audiência!

Por que não preparar uma palestra adequada para o tempo reservado? Por que não focar em um problema de interesse mais geral e dedicar tempo explicando com cuidado a motivação, como ler os gráficos ou equações apresentadas e a implicação dos resultados? Por que não focar apenas em alguns (poucos) resultados mais relevantes ou surpreendentes? Detalhes específicos podem ser deixados para um pôster, um workshop ou um artigo.

Esse tipo de cuidado poderia aumentar muito o nível das conferências e torná-las mais interessantes para estudantes em geral e pesquisadores que não são da área, que deveriam ser o público alvo das palestras.

Portanto, na minha opinião os palestrantes deveriam:

  • Considerar o nível e a área da audiência na hora de escolher o tema da palestra.
  • Escolher um tema que seja de interesse geral ou possa beneficiar um número grande na audiência.
  • Explicar com cuidado os gráficos, equações, diagramas e tabelas. Nem todos são da área.
  • Focar em exemplos ilustrativos e de maior relevância.
  • Preparar a apresentação com cuidado do ponto de vista didático, apresentando uma quantidade de informação que seja digerível no tempo alocado.

Além disso, os organizadores das conferências poderiam fornecer orientações para os palestrantes na hora da submissão dos resumos e preparação das palestras.

Sem uma maior preocupação em tornar as conferências mais efetivas e em aumentar o impacto das palestras, o nível de desinteresse e tédio, claramente visível no número de pessoas distraídas usando laptops durante as palestras, continuará a aumentar.

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Sobre Eduardo Yukihara

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