Uso efetivo de planilhas eletrônicas em análises de dados

Nesse artigo compartilhamos algumas sugestões para o uso de planilhas eletrônicas (ex.: Excel, Numbers, Google, etc.) na análise de dados.

As planilhas como linguagem comum para trabalho em grupo

A principal vantagem das planilhas eletrônicas é o fato de poderem ser facilmente compreendidas por qualquer estudante ou profissional, pois são onipresentes nos ambientes de trabalho, laboratório e doméstico. É fácil, portanto, compartilhar resultados, o que facilita enormemente o trabalho em grupo.

Transparência

Outra vantagem das planilhas eletrônicas é a transparência. Em princípio é possível acompanhar na planilha todos os passos da análise, desde os dados originais até o resumo final, o que facilita a identificação de erros.

Identificação de erros

O uso de planilhas eletrônicas quase sempre demanda que o trabalho dos dados seja feito de forma “manual” e detalhada. Isso é principalmente importante quando a forma de análise a ser empregada ainda não está definida, o que requer a observação dos dados e resultado a cada passo da análise. Por forçar o usuário a olhar os dados passo a passo, as planilhas eletrônicas também ajudam na identificação de erros, tanto na transcrição como na leitura dos arquivos de dados.

Análises repetitivas

As planilhas podem não ser as ferramentas mais adequadas para a análise repetitiva de dados, principalmente quando o procedimento de análise está bem estabelecido, ou para bases de dados grandes ou complexas.

Ainda assim é possível fazer bom uso das planilhas nesses casos. Estruturando a planilha de forma apropriada, pode-se repetir uma análise simplesmente substituindo os dados iniciais, uma vez que todas as outras operações já estão “programadas”. Logicamente isso deve ser feito com cuidado e observando atentamente os valores intermediários.

Sugestões

Em nosso laboratório estabelecemos algumas diretrizes que têm sido fundamentais na compreensão dos dados e na identificação de erros:

  1. Organize todos os dados do experimento em um arquivo. Para facilitar o compartilhamento e a inspeção dos dados organizamos todos os dados de cada experimento em um único arquivo com uma ou mais planilhas. Cada arquivo contém desde os dados iniciais até os resultados finais do experimento e comparações apropriadas. O que determina “um experimento” fica a critério do usuário, mas o arquivo deve ser abrangente o suficiente para permitir a comparação de dados que tentam responder uma questão, mas não tão abrangente a ponto de ser gigantesca e difícil de entender. O segredo é achar esse ponto ideal.
  2. Use diferentes planilhas eficientemente. O trabalho pode ser organizado através de múltiplas planilhas (“tabs”) dentro de um mesmo arquivo ou projeto. Por exemplo, algumas planilhas podem conter os dados originais obtidos em dias diferentes (e condições experimentais) e análises preliminares, outra planilha pode conter a análise intermediária e outra os valores finais.
  3. Nunca copie apenas os valores dentro da planilha. Como a planilha contém desde os dados originais até o resultado final da análise, é fundamental nunca copiar valores intermediários apenas como valores. Quando os valores são copiados de um lugar para outro na planilha como “links”, é possível ver de onde os dados estão vindo e quais operações e correções estão sendo feitas com eles. O objetivo é que cada operação possa ser claramente compreendida, desde os dados originais até o resultado final.
  4. Documente as condições experimentais. Para facilitar a produção de artigos no futuro, é importante documentar na planilha todas as condições experimentais usadas para se obter os dados originais. Todos os fatores de correção usados também devem ser explicitamente escritos na planilha.
  5. Use elementos gráficos para manter a planilha inteligível. Cores, bordas, tipo de fonte (negrito, itálico) podem ser usados efetivamente para indicar os resultados mais importantes. Por exemplo, o usuário pode marcar em amarelo os valores intermediários, que são transportados para outras regiões da planilha, e em verde os valores finais, que são compartilhados com o grupo de trabalho ou colaboradores.
  6. Não se esqueça das unidades e incertezas. Valores numéricos, principalmente em ciências exatas, raramente têm significado sem as unidades e incertezas. Não se esqueça, portanto, de indicá-las. Isso também ajuda na identificação erros.
  7. Indique apenas os algarismos significativos. Ajuste o número de dígitos de forma que algarismos não significativos sejam omitidos, para facilitar a leitura da planilha. Por exemplo, qual o sentido de mostrar na planilha o valor “34,04834738473” quando a incerteza no número é, por exemplo, “0,6”? Os outros algarismos não tem significado e “poluem” a planilha. O melhor, portanto, é ajustar o número de dígitos para “34,0”. É importante salientar que isso afeta apenas a visualização: como os cálculos são feitos com a célula da planilha, todos os dígitos são usados nos cálculos.
  8. Use comentários para esclarecimentos. Adicione comentários (e.g. em Excel, Inserir -> Novo Comentário) para deixar esclarecimentos adicionais, indicar resultados duvidosos, ou apontar desvios na análise.

As planilhas eletrônicas são frequentemente utilizadas em nosso laboratório para analisar e registrar dados de pequenos experimentos. Com os cuidados acima, elas têm se mostrado fundamentais para o efetivo compartilhamento de dados e identificação de erros, portanto aumentando a produtividade sem prejudicar a qualidade da análise. É principalmente importante que as planilhas mantenham-se compreensíveis anos após o trabalho ter sido realizado, principalmente nos casos em que o artigo é preparado depois que o estudante já deixou o laboratório.

Contribuiu para este artigo: Stefanie Menusso.

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Sobre Eduardo Yukihara

Pesquisador | Professor | Autor
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